Traumas e relacionamentos
- Clara Naschpitz
- 27 de set. de 2024
- 3 min de leitura
Atualizado: 28 de mai.
Trauma e relacionamento são dois temas profundamente interligados. O trauma pode deixar marcas invisíveis que afetam a forma como uma pessoa se relaciona, tanto consigo mesma quanto com os outros. Quando falamos de relacionamentos, sejam eles amorosos, familiares ou de amizade, o impacto do trauma pode se manifestar de maneiras sutis e complexas.
Traumas podem ser eventos únicos, como acidentes ou perdas, mas também podem ser experiências prolongadas, como abuso emocional, físico ou psicológico. A resposta a ele é muito pessoal; algumas pessoas podem se fechar emocionalmente, tornando-se hipervigilantes e evitando a intimidade, enquanto outras podem se tornar dependentes ou até mesmo repetirem padrões de relações abusivas.
No contexto de um relacionamento amoroso, por exemplo, uma pessoa que sofreu trauma pode enfrentar dificuldades em estabelecer confiança e vulnerabilidade. A memória emocional do trauma pode ser reativada em situações cotidianas, gerando reações desproporcionais ou irracionais, como ciúmes intensos, medo de abandono ou uma necessidade exagerada de controle. Isso pode afetar tanto a pessoa que sofreu o trauma quanto seu parceiro(a), criando ciclos de conflitos e frustrações que, sem tratamento, podem comprometer a saúde do relacionamento.
Além disso, o trauma muitas vezes afeta a autoestima, fazendo com que a pessoa se sinta indigna de amor e de relacionamentos saudáveis. A sensação de inadequação pode fazer com que ela aceite menos do que merece, perpetuando dinâmicas tóxicas que reforçam sentimentos de isolamento e dor.

O primeiro passo para quebrar esse ciclo é reconhecer, primeiramente, os sintomas e padrões disfuncionais, deixando de lado a projeção ou o julgamento do outro ou, ao contrário, o excesso de culpa e sensação de que tudo é sobre si mesmo. Com isso, é possível explorar a própria história e como situações passadas podem estar afetando a si próprio e, consequentemente, o relacionamento, reconhecendo a responsabilidade mútua por uma relação disfuncional.
Muitas vezes, as reações não parecem estar diretamente ligadas ao evento traumático, mas, ao explorar as camadas emocionais mais profundas, torna-se claro que o trauma está influenciando o comportamento, o sentimento e o pensamento.
Com isso, é possível buscar ajuda profissional para estar em sintonia de uma relação saudável com base em confiança, empatia e compreensão mútua. A terapia, nesse sentido, é uma ferramenta fundamental nesse processo.
O processo terapêutico oferece um espaço seguro para que a pessoa que viveu experiências traumáticas possa processar suas vivências e aprender a identificar seus gatilhos emocionais. No caso de casais, a terapia pode ajudar ambos a desenvolverem uma comunicação mais aberta e compassiva, criando uma parceria de apoio mútuo na jornada de cura. Também é possível realizar terapia individual ou em grupo para tratar os aspectos mais profundos e pessoais da experiência traumática.
O trauma não precisa definir ou limitar a capacidade de uma pessoa de ter relacionamentos saudáveis e significativos. Afinal, é inerente que todos tenhamos passado por situações assim, mas o problema está em quando não encontramos recursos para curá-lo internamente.
Ao buscar terapia, todos aqueles que enfrentaram traumas podem não só curar suas feridas, mas também aprender a cultivar relacionamentos baseados em amor, respeito e crescimento mútuo.
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Clara Naschpitz é psicóloga clínica com formação especializada em Gestalt Terapia pela PUC-Rio e terapeuta em Experiência Somática pela Associação Brasileira do Trauma. Atende adultos online e presencialmente em Niterói, com foco em questões relacionadas a ansiedade, trauma e relacionamentos.